23 de abr de 2015

JESUS QUER DISCÍPULOS CONSCIENTES, NÃO FÃS HISTÉRICOS

Por Davi Lago

Jesus não chamou fãs histéricos, chamou discípulos. Não seja um fã irracional de Jesus. O seguidor genuíno de Jesus não é um alienado, mas um indivíduo que refletiu, calculou o custo e decidiu entregar sua vida a Deus. O mix de entretenimento barato, bravatas moralistas, heresias grotescas, falta de valores éticos, presunção, megalomania, infantilização e ausência do evangelho de pregações atuais é patético. A lógica da apelação, do vale tudo, do pragmatismo religioso enerva quem tem um mínimo de inteligência. Recebo diariamente (e numa quantidade crescente) mensagens de jovens exaustos das mensagens-clichês e pastores ensimesmados. Jovens que seguiram de boa índole a mensagem de alguns ávidos por fama, mas que tiveram os olhos abertos pela luz do evangelho. A juventude que ama Deus quer pão. Chega de circo.

27 de mar de 2015

A NECESSIDADE URGENTE DE LUCIDEZ

Por Davi Lago
O ser humano é dotado de capacidade reflexiva e desde tempos remotos questiona-se sobre o sentido da vida. “O homem é viciado em significado. Todos nós temos um grande problema: nossas vidas têm de ter alguma espécie de conteúdo. Não suportamos viver sem algum tipo de conteúdo que possamos ver como constituidor de significado”, afirmou o filósofo Lars Svendsen no livro "Filosofia do tédio".
A ausência de sentido para a vida no mundo contemporâneo é notória. Os grandes pensadores e pesquisadores da cultura pós-moderna concluem a mesma coisa: vivemos numa sociedade desorientada. O vazio existencial que emergiu na cultura é tão grande que até mesmo grandes questionamentos filosóficos mudaram. O pensador Jean Baudrillard afirmou que antigamente a pergunta existencial era: “por que há alguma coisa em vez de nada?”, mas a pergunta real hoje é: “por que há apenas nada em vez de alguma coisa?”.
O apóstolo Paulo insistiu para os cristãos efésios abandonarem a vida sem sentido atolada em depravação:
“Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na inutilidade dos seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento do seu coração. Tendo perdido toda a sensibilidade, eles se entregaram à depravação, cometendo com avidez toda espécie de impureza” (Efésios 4.17-19).
O teólogo John Stott, ao comentar essa passagem bíblica, afirma que o caminho para a vida sem sentido percorre a seguinte trilha: “a dureza de coração leva primeiramente às trevas mentais, depois à insensibilidade da alma sob o julgamento de Deus e, finalmente à vida desenfreada” . Ou seja, o caminho da vida absurda é:
1. O endurecimento do coração;
2. A ignorância e obscurecimento do entendimento;
3. A insensibilidade espiritual;
4. A entrega da vida à dissolução e toda sorte de impureza.
Por isso, precisamos orar como Paulo, para que as trevas sejam dissipadas e nosso conhecimento seja iluminado: “Oro também para que os olhos de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos” (Efésios 1.18).
Jesus afirmou: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8.12). Enquanto as trevas tornam as coisas confusas e tenebrosas, a luz ilumina, esclarece, traz lucidez. De acordo com o evangelho, Cristo é “a verdadeira luz, que ilumina todos os homens” (João 1.9). Jesus veio iluminar, revelar o estado de ignorância em que o mundo se encontrava e apontar o caminho para a salvação que é ele mesmo. O próprio Jesus é o sentido da vida.
C. S. Lewis disse: “Eu creio no cristianismo como creio que o sol nasce todos os dias: Não só por que eu o vejo, mas porque através dele eu posso ver todas as coisas”. As Escrituras Sagradas apresentam Jesus Cristo como um ponto fixo num mundo instável. Assim como o sol é o centro do nosso sistema planetário e a Terra orbita em torno dele, as Escrituras afirmam que Jesus é o centro de todas as coisas.

2 de fev de 2015

Quero ser simplesmente um aluno

Por Davi Lago
A melhor coisa que me aconteceu foi entender genuinamente que tudo que preciso na vida é reconhecer que sou aluno. Um mero aluno é tudo o que quero ser. Quero ter a rainha de todas as habilidades: a habilidade de aprender. E ela me basta. Entendi que é bom falar, mas é melhor ouvir. Porque enquanto falo não aprendo nada. Mas calado e com ouvidos atentos posso conhecer/aprender o novo e descobrir/redescobrir o velho. Quero ser continuamente um infante (do latim "aquele que está calado"). Seja porque não sei falar (como um bebê), seja porque não posso falar, mas apenas obedecer (como um soldado da infantaria da vida). Preciso ser um discípulo, um aluno, um estudante. Porque Jesus não veio chamar mestres da Lei, mas aprendizes da graça.

24 de dez de 2014

O estribilho da estrebaria

Por Davi Lago


O nome “Jesus” significa Salvação de Deus.
Ele abriu mão de sua posição porque não abre mão de nós.

O nome “Jesus” significa Salvação de Deus.
Quando ele nasceu, o Criador do universo andou na terra criada.

O nome “Jesus” significa Salvação de Deus.
O eterno entrou no tempo, o infinito no finito.

O nome “Jesus” significa Salvação de Deus.
Ele é o maior dos servos e Senhor dos Senhores.

O nome “Jesus” significa Salvação de Deus:
É no nome de Jesus que oramos (Mateus 14.13).

O nome “Jesus” significa Salvação de Deus.
É no nome de Jesus que vencemos o mal (Marcos 16.17).

O nome “Jesus” significa Salvação de Deus.
É no nome de Jesus que somos salvos (Atos 4.12).

O nome “Jesus” significa Salvação de Deus.
“Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” (Colossenses 3.17).

Feliz Natal!


7 de set de 2014

BREVÍSSIMO MANUAL DE LEITURA DA BÍBLIA




BREVÍSSIMO MANUAL DE LEITURA DA BÍBLIA
Davi Lago

“Procure apresentar-se aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a Palavra da verdade” (2Tm 2.15).

Como ler a Bíblia? Uma leitura sadia da Bíblia pode levar em conta os seguintes princípios:

1. Observação: O que eu vejo?
Na observação você não interpreta nada no texto. No primeiro passo da leitura bíblica, você pode simplesmente observar o texto. A observação te dará os fundamentos para que você possa compreender o sentido do texto. Na observação, você pode fazer algumas perguntas-chave, como:
- Quem é o autor?
- A quem o texto foi escrito originalmente?
- O que aconteceu?
- Onde ocorreram os acontecimentos?
- Quando ocorreram os acontecimentos?
- Quem são os personagens envolvidos?
- Qual é o versículo principal?
- O que o texto diz sobre Cristo?
- Quais são as palavras que se destacam?
- Quais contrastes acontecem?

2. Interpretação: O que significa?
Algumas passagens bíblicas são fáceis de interpretar porque o sentido é explícito. Mas há passagens na Bíblia de difícil interpretação. Portanto, com muita humildade, e sob a orientação do Espírito Santo, devemos interpretar cuidadosamente o texto. Todos podem crescer no conhecimento bíblico e na interpretação.
- A Bíblia interpreta ela mesma. Nenhum texto bíblico pode ser compreendido sem levar em conta o ensino global da Bíblia sobre o assunto. A Escritura deve ser interpretada pela Escritura.
- Nenhum texto bíblico pode ser interpretado sem levar em conta seu gênero literário. A passagem é uma poesia? É uma narrativa histórica? É uma profecia?
- Nenhum texto bíblico pode ser interpretado sem levar em conta o contexto histórico em que foi escrito. É preciso buscar o sentido original do texto e somente depois aplicá-lo aos nossos dias.
- Nenhum texto bíblico pode ser corretamente compreendido sem a iluminação do Espírito Santo. Ou seja, a leitura da Bíblia deve ser feita em espírito de oração, humildade e submissão à voz de Deus.

Quando algo lhe parecer muito difícil de compreender, faça como William Both, que costumava dizer: “Estudar a Bíblia é como comer peixe: separe os espinhos e coma a carne”. Deixe os espinhos num canto e depois peça instrução sobre eles a alguém mais experiente. Confie em Deus. Há coisas na Palavra que pertencem a Ele: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus” (Deuteronômio 29.29).

3. Aplicação: Como o texto interfere na minha vida?
Não podemos parar na interpretação. É preciso dar mais um passo: a aplicação. A Bíblia não é mera teoria, ela é um texto prático que tem poder para transformar vidas. Há algumas perguntas que também poderão te orientar na aplicação do texto à sua própria vida:
- Há algum exemplo que eu devo seguir?
- Há algum pecado que é condenado?
- Há alguma promessa para eu crer?
- Há alguma oração que eu possa repetir?
- Há algum verso que eu possa decorar?
- Há algum mandamento que eu devo obedecer?
- Há algum desafio que eu devo enfrentar?

Faça pequenas anotações em um caderno. Marque as palavras-chave e os versículos principais. Anotar o que Deus lhe mostrou é uma forma eficaz de aplicar os ensinos bíblicos à sua vida.

Outros conselhos práticos para a leitura e o estudo da bíblia

- Separe tempo. Veja um horário que seja compatível com sua rotina.
Inicie a leitura com uma oração curta. Inicie seu estudo com uma oração curta adorando a Deus. Lembre-se que durante todo o estudo do Livro, o Autor estará presente. Ore confessando seus pecados. Precisamos examinar nosso coração antes de examinarmos as Escrituras. Ore pedindo ao Espírito Santo que te ilumine, assim como o salmista: “Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18).

- Leia várias vezes o texto. Leia atentamente a passagem. Não leia apressadamente, não corra pelo texto. Leia até absorver seu conteúdo. Durante a leitura atenta e reverente, feita em espírito de oração, o Espírito Santo ilumina nossas mentes.

- Comece lendo um capítulo por dia e naturalmente sua leitura aumentará (em quantidade e qualidade). O arcebispo da igreja da Inglaterra Stephen Langton, que morreu em 1228, dividiu a Bíblia em capítulos para que sua leitura fosse facilitada.

- Medite em tudo que você ler. Pense naquilo que você leu. Examine o texto. Assimile todo conteúdo. Reflita. Medite durante todo o dia. Veja a atitude do salmista: “Como eu amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro!” (Salmo 119.97). Deite-se pensando nas Escrituras. Durma com o desejo de ver Deus no dia seguinte. A Bíblia provoca uma revolução dentro de você.

- Carregue com você uma Bíblia pequena. Existem Bíblias pequenas que você pode levar por onde for. Isso tem sido uma benção na minha vida. Nunca desperdiço tempo. Sempre que abre uma brecha na minha rotina, eu leio a Bíblia. Tenho lido a Palavra no carro, no ponto de ônibus, na rua, na faculdade, no restaurante, no banco, etc.

[Bibliografia básica indicada e comentada]

HALLEY, Henry. Manual bíblico. São Paulo: Vida Nova, 1998.
Livro clássico e amado por vários cristãos que explica toda a Bíblia com dados arqueológicos, históricos, geográficos e teológicos. Possui ainda uma bela descrição do poder da Bíblia na introdução com uma interessante lista de frases de pessoas ilustres sobre a grandiosidade da Bíblia.

LAHAYE, Tim. Como estudar a Bíblia sozinho. Belo Horizonte: Betânia, 1979.
Um guia básico e eficiente para pessoas que desejam iniciar uma rotina de estudos bíblicos sozinhas. Apresenta um plano de estudo

LANG, J. Stephen. 777 curiosidades sobre a Bíblia e seu impacto na história e na cultura. São Paulo: Vida, 2006.
Este livro apresenta vários fatos interessantes sobre a Bíblia e sua vasta influência sobre a civilização. Engloba uma variedade de dados que podem ser muito úteis em conversas com incrédulos.

LUTZER, Erwin. Sete razões para confiar na Bíblia. São Paulo: Vida, 2001.
Livro de fácil leitura muito válido para solidificar e orientar sua explicação sobre as razões da sua fé.

STOTT, John. Entenda a Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 2005.
Obra altamente recomendada. Talvez a introdução à Bíblia contemporânea mais bem elaborada. O Pr. John Stott é um exímio expositor bíblico e sua escrita é lúcida e objetiva. Obra indispensável ao estudante da Bíblia.

WARREN, Rick. 12 maneiras de estudar a Bíblia sozinho. São Paulo: Vida, 2003.
O Pr. Rick Warren compilou métodos variados e utilizados por gerações de cristãos para o estudo das Escrituras. Possui vários exemplos e é uma grande inspiração para a fundamentação do hábito de estudo bíblico.

28 de abr de 2014

SOCORRO! PRECISAMOS DE LÍDERES CRISTÃOS CAPACITADOS PARA TREINAREM A NOVA GERAÇÃO





Por Davi Lago

A igreja do amanhã precisará de capacitação divina para entender e superar grandes desafios, como por exemplo: o pensamento pós-cristão e pluralista enraizado na academia; a alienação hedonista da juventude; o esgotamento da credibilidade do protestantismo evangelical por causa da teologia da prosperidade; a crise ecológica sem precedentes; a falta de preparo e visão dos líderes atuais para capacitar a nova geração.

Esse último desafio muito preocupa. A igreja brasileira tem POUQUÍSSIMOS líderes mais velhos realmente capacitados para inspirarem a nova geração de líderes. É óbvio que nossa fé não depende de homens, mas também é óbvio que jovens precisam de referências para tudo na vida (Tt 2.6-8). E o fato é: diariamente recebo emails de líderes jovens desesperados com os usos e abusos de pastores mais velhos, que já não escutam ninguém, nem a Deus. Somos uma geração órfã de pais espirituais. Recebi um email de um jovem líder com o título: "SOCORRO! MEU LÍDER ENLOUQUECEU!".

Por um lado, há líderes de cabeça branca que, a essa altura da vida, deveriam colaborar mas só atrapalham. Líderes lentos, previsíveis, com vasto repertório de atitudes mesquinhas e pequenas. Líderes que idolatram a si próprios. Líderes com forte ímpeto de autoendeusamento.

Por outro lado, a juventude está enfadada de líderes velhos cínicos, amargurados, que só reclamam e não tem propostas para nada. "Tudo bem Davi, mas você é apenas um jovem, quando for velho vai entender melhor as coisas, a vida e a igreja". Perdoem-me os velhos ensimesmados que pensam assim, mas não tomem o fracasso de vocês como base para nada. Sei que a vida não é um mar de rosas, que no mundo temos aflições, que tudo é vaidade, etc, mas amigos, eu creio nas Escrituras, eu creio em Jesus Cristo, eu creio no poder da ressurreição.

É compreensível que os líderes mais velhos ranzinzas sejam chatos e fiquem reclamando de tudo, afinal, a vida deles foi muito ruim e por isso são frustrados. Mas até o SUPREMO PAPA DOS HOMENS VELHOS CHATOS, o Eclesiastes, chegou a conclusões inspiradoras para os jovens. Ele escreveu: "Alegre-se, jovem, na sua mocidade" (Ec 11.9), "Lembra do teu Criador nos dias da tua mocidade" (Ec 12.1), "Tema Deus e obedeça ao seus mandamentos" (12.13). O problema é que o líderes velhos chatos de hoje param na reclamação: "Que grande inutilidade! Que grande inutilidade! Nada faz sentido!" (Ec 1.2).

A juventude precisa de mentores que sejam asas e não gaiolas.

Enfim, cabe a liderança jovem pedir misericórdia a Deus e olhar para Jesus. Creio que também é útil aprender com os textos de grandes líderes cristãos do passado, verdadeiros estadistas de Deus, homens de visão e coração grande como Charles Spurgeon (jovens, leiam toda a série "Lições aos Meus Alunos"), John Stott (leiam tudo que ele escreveu), Eugene Peterson, Richard Baxter, etc. Há esperança.

27 de mar de 2014

Conexão de Pastores e Líderes de Jovens

Sábado pela manhã, esterei no CONEXÃO, um evento inédito promovido em conjunto pelas Juventudes da Getsêmani, Lagoinha, Batista Central, Bola de Neve e Oitava Presbiteriana de BH.

1 de jul de 2013

Confira meu blog de arte!


Está no ar o Davi Lago Art Blog!

Nele você encontrará meus desenhos, quadrinhos, rabiscos e devaneios gráficos.

Acesse aqui: http://davilagoart.blogspot.com.br/


18 de jun de 2013

#ClamorRetumbante




Conclamação aos jovens cristãos: 

Vamos parar por um momento em nossos cultos de jovens neste sábado, dia 22 de junho às 21h, para levantar um grande clamor por justiça social no Brasil !

Vamos vestidos de branco!

"Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça" - Jesus Cristo

#ClamorRetumbante

Como o cristão deve se submeter às autoridades civis?


Por Davi Lago

O cristão é um estrangeiro e peregrino nesta terra (Hb 11.13; 1Pe 2.11), portanto, ele não pode ver nenhum país terreno como seu lar definitivo: “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). No entanto, a Bíblia ensina que o crente deve zelar pela sua pátria terrena, orar por ela e exercer sua cidadania de forma responsável.


A submissão cristã aos governantes não é cega e irrestrita

A Escritura comanda os cristãos a serem submissos às autoridades civis. Paulo escreveu a Tito: “Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer tudo o que é bom” (Tt 3.1). O texto de Romanos 13.1-7 destaca a importância da submissão do cristão às autoridades civis. Está escrito: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus” (Rm 13.1). Fica claro que Deus é a fonte de toda autoridade e que todo crente deve ser submisso aos governantes para que a sociedade viva em ordem e paz. O apóstolo Pedro nos alerta que a obediência a autoridade civil deve ocorrer por causa de Deus: “Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem” (1Pe 2.13-14). Ou seja, Jesus Cristo é o Senhor supremo. A submissão ao governo é “por causa do Senhor”, e não por causa do próprio governo. O texto de Pedro “desdiviniza” as instituições governamentais e seus representantes. Cristo é nosso Senhor e tudo que fazemos deve ser para sua glória.
No entanto, essa obediência deve ser exercida sempre de forma crítica. Quando uma lei civil chocar-se com a lei de Deus, o cristão deve partir para a desobediência civil. A submissão aos governantes não é cega e irrestrita. Não se trata de servilismo, mas de submissão consciente e crítica. Sempre que for decretada uma lei que contradiga a Palavra de Deus, a desobediência civil torna-se um dever cristão. Há notáveis exemplos disso nas Escrituras.
Quando o faraó ordenou que as parteiras hebreias matasse os meninos que nascessem, elas se recusaram a obedecer. “Todavia, as parteiras temeram a Deus e não obedeceram às ordens do rei do Egito deixaram viver os meninos” (Êx 1.17). Quando o rei Nabucodonosor emitiu um decreto de que todos os seus súditos deveriam prostrar-se e adorar sua imagem de ouro, Sadraque, Mesaque e Abede-nego recusaram-se a obedecer (Dn 3). Quando o rei Dario emitiu um decreto de que por 30 dias ninguém deveria orar “a qualquer deus ou a qualquer homem”, exceto a ele mesmo, Daniel recusou-se a obedecer (Dn 6.7). E quando o Sinédrio baniu a oração em nome de Jesus, os apóstolos recusaram-se a obedecer (At 4.18). Todas essas recusas foram heroicas, apesar das ameaças que acompanhavam esses editos. Em cada um desses casos, a desobediência civil envolvia um risco pessoal muito grande, além da possível perda da vida. 


O cristão vai além do protesto, ele intercede

O cristão não pode depositar sua fé e esperança nos políticos: “Não confiem em príncipes, em meros mortais, incapazes de salvar” (Sl 146.3), mas deve orar por eles: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável a Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.1-4).
O cristão deve interceder em favor dos governantes por duas razões. A primeira é que, como resultado benéfico delas, os cristãos podem esperar uma vida tranquila e pacífica. Ou seja, não sendo expostos à suspeita de deslealdade, terão licença de praticar sua religião sem medo de serem molestados. A segunda razão é mais profunda: a intercessão pelos governantes é importante por causa da salvação de suas vidas. O cristão deve orar para que o evangelho alcance o coração das autoridades.


Que lugar a política deve ocupar na Igreja?


Por Davi Lago

Jesus não veio como um libertador político ou reformador social. Jesus veio ao mundo para salvar pecadores. Perante Pilatos, Cristo afirmou: “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18.36).
Dado que o maior problema do mundo é espiritual, e não político, a igreja tem uma missão espiritual. Devemos entender que os resultados espirituais que queremos ver na sociedade só podem ser alcançados através de meios espirituais. Por exemplo: uma genuína reforma moral nunca virá através de mudanças na lei, mas através de mudanças nos corações e mentes das pessoas.
Não adianta estabelecer leis que obriguem as pessoas a viverem como cristãs, pois só a obra do Espírito Santo pode promover essa transformação. Dessa forma, a maior potência do mundo não é nenhum protesto político, mas a proclamação do evangelho de Cristo, pois só ele é “poder para a salvação” (Rm 1.16).
É interessante notar que os primeiros cristãos viveram sob um governo muito mais opressivo do que os sistemas políticos de nosso tempo, e jamais tentaram formar um partido político, ou mesmo alterar as leis romanas imorais. Pelo contrário, eles “pregavam a palavra por onde quer que fossem” (At 8.4).
O maior bem temporal que possamos realizar neste mundo através de uma participação política não se pode comparar com o que o Senhor pode realizar através de nós no trabalho de seu reino eterno. Assim como Deus chamou o antigo Israel, ele convocou a igreja a ser um reino de sacerdotes e não um reino de ativistas políticos (1Pe 2.9).
Portanto, deve ficar claro que a missão da igreja jamais foi causar uma reforma política no mundo, mas sim, uma reforma espiritual. Cabe aqui a história de um cristão que estava sentado ao lado de um político. Um mendigo passou na frente deles. O político disse: “o meu programa político pode dar roupas novas para aquele homem”. E o cristão respondeu: “O meu Jesus pode colocar um homem novo naquelas roupas velhas”.


A responsabilidade política do cristão

Embora a igreja não tenha uma agenda política, cada cristão pode e deve se envolver na arena política como indivíduo. O teólogo John Stott afirma que os cristãos devem evitar os dois erros opostos, o do laissez-faire (não fazer nenhuma contribuição ao bem-estar político da nação) e o da imposição (procurar um ponto de vista minoritário a uma maioria que não o queira, como no caso das leis antialcoolismo nos Estados Unidos, no período do proibicionismo). Em vez disso, deve se lembrar que de que a participação política é importante e a democracia significa governar com o consentimento dos governados, que o “consentimento” é questão da opinião pública majoritária e que a opinião pública é uma coisa volátil, que está aberta à influência cristã. O cristão deve salgar a política[1].
Todos os cristãos individualmente podem ser politicamente ativos. Todo cristão deve ser o “sal da terra”. O cristão precisa estar no mundo para que sua influência possa ser sentida. Por isso é fundamental que todo crente esteja inteirado dos assuntos políticos, conscientizado dos problemas sociais, atento às atividades dos políticos que ajudou a eleger, etc. Paulo escreveu a Tito: “Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer tudo o que é bom, não caluniem ninguém, sejam pacíficos, amáveis e mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os homens” (Tt 3.1-2). O cristão deve estar pronto a fazer tudo o que é bom e buscar o bem de todos os homens. Esta é justamente a missão da política: lutar pelo bem de todas as pessoas.

Exemplos históricos de influência política positiva dos cristãos

Podemos citar duas conquistas políticas muito importantes que foram frutos diretos da influência de cristãs no âmbito político: a abolição da escravatura na Inglaterra e o fim da segregação racial nos Estados Unidos.

1. A abolição da escravatura no período moderno foi resultado da luta política do estadista cristão William Wilberforce na Inglaterra. Wilberforce foi um crente devoto e político exemplar que trabalhou incansavelmente para impedir o comércio de escravos da África para as Índias Ocidentais. Após vinte anos de labuta, o parlamento inglês finalmente aprovou seu projeto de lei para deter o comércio de escravos. Em seguida, ele trabalhou, por mais de 25 anos, para libertar os escravos dos territórios ingleses. Após o esforço de Wilberforce, o parlamento libertou os 700 mil escravos ingleses remanescentes.

2. A conquista dos direitos civis para os negros foi uma grande conquista na História dos Estados Unidos, que repercutiu na política mundial. Essa vitória foi resultado da atuação política do pastor batista Martin Luther King Jr. Ele que liderou o movimento social que lutou contra a segregação racial. A atividade de Martin Luther King Jr. foi inspirada no evangelho e deu resultados positivos.

É válido salientar que tanto a remoção da escravatura na Inglaterra, quanto o estabelecimento dos direitos civis para os negros nos Estados Unidos, não foram fenômenos novos dentro do cristianismo. Como afirma Alvin J. Schmidt, “ambas as conquistas já eram práticas existentes dentro da igreja cristã desde seus primórdios”[2].





[1] STOTT, John. Cristianismo autêntico. São Paulo: Vida, 2006, p.479.
[2] SHIMIDT, Alvin J. How Christianity changed the world. Grand Rapids, Mich.: Zodervan, 2001, p.290.

12 de abr de 2013

Jesus Cristo realmente ressuscitou?




Por Davi Lago

 “Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17.31).

A ressurreição de Cristo é uma evidência objetiva de que o cristianismo é verdadeiro. “Se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês têm” (1Co 15.14). Mas Jesus ressuscitou, apareceu diante de seus discípulos “e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo” (At 1.3). A ressurreição significa que Jesus Cristo é exatamente aquilo que ele afirmou ser: o Filho de Deus. Jesus Cristo é Deus em carne.
Jesus afirmou que morreria e ressuscitaria três dias depois. E fez isso várias vezes: “É necessário que o Filho do homem sofra muitas coisas e seja rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, seja morto e ressuscite no terceiro dia” (Lc 9.22); “Jesus lhes respondeu: ‘Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias’. Os judeus responderam: ‘Este templo levou quarenta anos para ser edificado e o senhor vai levantá-lo em três dias?’. Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo” (Jo 2.19-21). E, de fato, Jesus ressuscitou.
Podemos pontuar alguns aspectos sobre a ressurreição de Cristo:

Jesus morreu realmente: A ressurreição pressupõe a morte física. A fim de ressuscitar dentre os mortos, era necessário que Jesus tivesse morrido. Esse é um fato evidente que pode ser deduzido à base da sua crucificação. De acordo com o que nos conta Marcos, Jesus foi pregado à cruz às nove horas da manhã e permaneceu lá até às três horas da tarde (Mc 15.25,33). Contudo, há aqueles que asseveram que Jesus não morreu de verdade. A doutrina islâmica, por exemplo, declara que Jesus nunca morreu. Os muçulmanos dizem que os judeus afirmaram ter matado Jesus, contudo “eles não o mataram nem o crucificaram, mas para eles pareceu que foi, pois Alá o levou para o céu” (Sura 4.157,158). Jesus, então, só deu vistas de ter sido crucificado, na verdade, ele foi exaltado e ascendeu diretamente ao céu sem jamais ter morrido. De acordo com a tradição muçulmana, outra pessoa foi crucificada erradamente pelos romanos. Outra teoria que nega a morte de Jesus na cruz admite que ele foi crucificado, mas afirma que Jesus somente desfaleceu, ou ficou inconsciente na cruz. Ambas essas teorias estão completamente equivocadas. Os soldados romanos tiveram a certeza de que Jesus já havia morrido, e não tiveram que lhe provocar a morte, quebrando-lhe as pernas, conforme aconteceu aos outros dois, que tinham sido crucificados ao mesmo tempo. Foram os inimigos, e não os amigos de Jesus, que confirmaram a sua morte.

Jesus foi sepultado fisicamente: De acordo com todos os quatro evangelhos, Jesus não foi sepultado em um cemitério ou campo aberto, mas em um sepulcro escavado na rocha. Paulo escreveu em 1Coríntios 15.3-5: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultados e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois ais Doze”. No período em que esse texto foi escrito, como as testemunhas de Jerusalém estavam vivas, elas poderiam desmentir Paulo afirmando que não houve sepultamento de Jesus. Contudo, isso não ocorreu. Além disso, não havia tempo suficiente para que uma lenda a respeito do sepultamento de Cristo tivesse surgido e sido aceita por todos. O próprio Paulo esteve por duas semanas em Jerusalém (Gl 1.18) e lá pode confirmar o fato de que todos sabiam que Jesus foi sepultado. Outro ponto importante é considerar a figura de José de Arimateia. Nenhum acadêmico sério de nosso tempo afirma que José é uma invenção dos primeiros cristãos, sobretudo por se afirmar que ele era um membro do Sinédrio, fato que poderia ser facilmente desmentido. Além disso, até mesmo detalhes incidentais que os evangelhos fornecem sobre José corroboram sua existência histórica. As narrativas afirmam que ele era rico (o que justifica o tipo de túmulo) e que ele era de Arimateia (um lugar sem nenhuma importância e simbolismo na Bíblia).

Jesus ressuscitou: Três dias após sua morte, Jesus ressuscitou. “E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu dos céus e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. O anjo disse às mulheres: ‘Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou como tinha dito’” (Mt 28.2,5,6). “Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui. Vejam o lugar onde o haviam posto” (Mc 16.6). “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou!” (Lc 24. 5-6). “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15.3-4).

William Lane Craig apontou três evidências da ressurreição de Cristo:

Primeira evidência: o túmulo vazio. A história da ressurreição de Cristo não teria durado um minuto se o corpo de Jesus estivesse na tumba. Contudo, há grandes evidências que comprovam o fato de que o túmulo de Jesus ficou vazio.
Quando os discípulos foram ver o túmulo onde o corpo morte de Jesus fora previamente depositado, eis que o mesmo estava vazio. Todos os quatro evangelhos narram que o sepulcro foi achado vazio. Os discípulos de Cristo não foram embora para Atenas ou Roma pregar o Cristo ressurgido dos mortos; eles voltaram direto para a cidade de Jerusalém onde, se o que eles estavam ensinando fosse falso, a sua mensagem seria contestada.
A ressurreição não poderia ser mantida por um momento em Jerusalém se a sepultura não estivesse vazia. Se os judeus tivessem conseguido mostrar o corpo de Jesus, isso teria derrubado a reivindicação de seus seguidores de que ele havia ressuscitado. Mas o túmulo estava vazio.
O relato bíblico mostra que os judeus acusaram os discípulos de Jesus de terem roubado seu corpo do sepulcro. Há uma interessante evidência arqueológica disso. Os arqueólogos encontraram uma laje de mármore branca que contém uma inscrição de um decreto de César datada de 45 a 50 d.C. O decreto ordena que os sepulcros “permanecerão intocáveis para sempre” e determina que todo aquele que retirar os corpos dos sepulcros estarão sujeitos à pena de morte. Há amplo consenso entre os historiadores de que Cláudio – que foi César de 41 a 54 d.C. – associou o roubo de corpos de sepulcros com as perturbações em Roma entre judeus e cristãos durante seu reinado. Tanto é, que em 49 d.C., Cláudio expulsou todos os judeus de Roma por causa dessas perturbações, as quais Suetônio, o escritor romano da biografia de Cláudio, culpou “Chrestos”, ou melhor, Cristo. Contudo, mesmo que os discípulos tivessem tido a oportunidade de roubar o corpo, eles não tinham motivo para fazer isso. A execução de Jesus em uma cruz o teria marcado aos olhos deles como falso profeta e falso Messias. Porque eles roubariam o corpo? Ninguém jamais conseguiu dar uma resposta convincente a essa pergunta. Tudo isso comprova que Jesus não estava mais no túmulo.
Há pontos interessantes a se levar em conta:
O túmulo vazio foi descoberto por mulheres. Dado o relativo baixo status que as mulheres ocupavam na sociedade judaica e sua "pequena qualificação" para servir como testemunha legal, é surpreendente o fato de que foram mulheres que descobriram o túmulo vazio. Se, de fato, não fossem mulheres que tivessem descoberto o túmulo vazio, por que a igreja afirmaria isso e humilharia seus líderes afirmando que esses permaneceram escondidos em Jerusalém como covardes? Além disso, os nomes das mulheres citadas eram conhecidos por toda a igreja primitiva e seria muito fácil desmenti-las caso elas não tivessem visto o túmulo vazio primeiro.
A investigação que Pedro e João fizeram do túmulo vazio é historicamente provável. A visita dos discípulos à tumba vazia é extremamente plausível porque eles estavam em Jerusalém.
Seria impossível para os discípulos anunciarem a ressurreição em Jerusalém se a tumba não estivesse vazia. O túmulo vazio é a condição sine qua non do anúncio da ressurreição de Cristo. A pregação dos discípulos não duraria um minuto se o corpo de Jesus estivesse sepultado.
Os próprios opositores do cristianismo não negaram o fato do túmulo vazio. Os judeus opositores à fé cristã em nenhum momento negaram que o túmulo estivesse vazio, pelo contrário, acusaram os discípulos de terem roubado o corpo de Jesus. Essa é uma evidência muito persuasiva de que o túmulo estava vazio.
O fato de que o túmulo de Jesus não foi venerado indica que ele estava vazio. Os judeus veneravam e preservavam os túmulos dos profetas e homens santos. Essa veneração era aspecto importante na religião judaica. Contudo não existe o mínimo vestígio de que o túmulo de Jesus foi venerado. A razão para isso é que ele estava vazio.
Somadas, essas evidências são um forte argumento para comprovar que o túmulo de Jesus estava vazio.

Segunda evidência: as aparições de Jesus ressuscitado.  Há grande comprovação histórica de que Jesus foi visto depois de morto por várias pessoas. Em 1Coríntios 15.3-5 Paulo afirma que Jesus apareceu a Pedro e aos demais discípulos, e prossegue dizendo: “Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo” (1Co 15.6-8). Essas informações de Paulo foram escritas muito próximas aos eventos e, por isso, não podem ser lendas. A maioria das quinhentas pessoas que viram Jesus ressurreto poderia ser questionada para comprovar a história.
Houve, ao todo, treze diferentes aparições de Jesus sob as mais diferentes condições e circunstâncias concebíveis. Ele apareceu no jardim do túmulo, próximo a Jerusalém, no cenáculo, no caminho para Emaús, ao lado do mar da Galileia, em uma montanha na Galileia e no monte das Oliveiras. Jesus apareceu quando Maria Madalena estava chorando, quando as mulheres estavam temerosas, quando Pedro estava cheio de remorso, e Tomé, cheio de incredulidade. É muito importante observar nesse ponto a sinceridade dos relatos dos evangelhos. No mundo do século I, mulheres (além de presos condenados, escravos e menores de idade) não eram consideradas testemunhas confiáveis. Não obstante, os quatro evangelhos afirmam que foram mulheres que descobriram que o túmulo estava vazio.

Terceira evidência: a origem da crença dos discípulos na ressurreição de Jesus. Por que os discípulos acreditariam que Jesus ressuscitou se de fato ele não tivesse ressuscitado? Não há explicação satisfatória para essa pergunta a não ser admitir que Jesus realmente ressuscitou dentre os mortos. É importante notar que os judeus acreditavam na ressurreição, como comprovam os textos de Isaías 26.19, Ezequiel 37 e Daniel 12.2. Contudo, eles acreditavam que a ressurreição seria no fim do mundo e não no meio da história, e também que a ressurreição seria para todas as pessoas e não para um indivíduo isolado. Portanto, os discípulos de Jesus só poderiam crer na ressurreição de Jesus e morrer afirmando que o viram depois da morte, se verdadeiramente Jesus tivesse ressuscitado e aparecido para eles.
Quando Jesus morreu, seus seguidores temeram pela própria vida. Ficaram tão receosos que não conseguiram nem cumprir com a obrigação básica de amigos íntimos, que era a de sepultar seu mestre. Os discípulos estavam angustiados e desesperados. A vida tinha perdido seu significado e propósito. Mas quando a ressurreição de Jesus ficou patenteada, a vida adquiriu uma nova significação. Agora havia propósito e razão para a existência. Eles deixaram seu esconderijo para pregar a ressurreição e, como consequência, muitos foram martirizados.
É importante frisar que, ninguém em sã consciência morre por algo que sabe ser falso. Talvez a transformação dos discípulos de Jesus seja, de todas, a maior evidência da ressurreição, pois é totalmente natural. Eles não nos convidam a olhar para eles mesmos, mas para o túmulo vazio, para as vestes largadas ali e para o Senhor a quem eles viram. Podemos ver a mudança que neles ocorreu, sem que nos peçam para observar isso. O livro bíblico que vem depois dos evangelhos, chama-se “Atos dos Apóstolos”. Nesse livro está registrado o início da história do cristianismo, com as primeiras ações dos discípulos de Jesus. É muito claro que os simples discípulos de Jesus, que eram homens fracos e vacilantes, tornam-se pregadores corajosos e destemidos. A morte do seu Mestre os deixara desapontados e desiludidos. Contudo, no livro de Atos, eles emergem como homens que põem em risco sua vida em nome de Jesus Cristo.

Além disso, podemos ainda ressaltar outros fatos:

A incredulidade de Tomé: As primeiras notícias vitoriosas sobre a ressurreição de Jesus já estavam correndo. Em certo momento, Jesus apareceu para todos os apóstolos, exceto Tomé, que estava ausente. Quando Tomé voltou e soube da aparição de Jesus, não quis acreditar: “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não crerei” (Jo 20.25). Tomé queria ver e tocar em Cristo para crer. Em outro dia, Jesus reapareceu aos discípulos e desta vez Tomé estava presente. Jesus então ofereceu a oportunidade da prova, censurando a Tomé. Então, Tomé disse: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.28) reconhecendo em Cristo o supremo e eterno Salvador, o próprio Deus. A atitude de Tomé transformou-se numa extraordinária prova da ressurreição de Jesus Cristo, como disse Agostinho: “ele duvidou para que nós crêssemos”.

O testemunho de Paulo: E quanto a Paulo, o perseguidor dos cristãos? Esse judeu fanático tanto odiou os seguidores de Cristo que obteve permissão especial para ir para as outras cidades e encarcerar os cristãos. Ele devastava a igreja. Mas algo também aconteceu a esse opressor. Ele mudou de antagonista para protagonista de Jesus. Ele foi transformado de assassino em missionário cristão. Ele passou de cruel inquisidor dos cristãos para um dos maiores propagadores da fé cristã. Paulo começou a confundir as autoridades judaicas “provando que Jesus era o Cristo”, o Filho de Deus (At 9.22). Paulo foi morto em consequência de sua devoção a Cristo. O que aconteceu com Paulo? A explicação histórica está na declaração do próprio Paulo: “E por derradeiro de todos [Cristo] apareceu também a mim” (1Co 15.8). A ressurreição de Jesus é a explicação da transformação desses homens. A ressurreição de Jesus foi o tema central da pregação dos apóstolos. Apesar de todas as coisas maravilhosas que Jesus ensinou aos discípulos, o tema dominante da pregação apostólica foi a ressurreição de Cristo. Em todo lugar e “com grande poder os apóstolos continuavam a testemunhar da ressurreição do Senhor Jesus” (At 4.33).

A reação dos que rejeitavam a Cristo: Além de tudo isso, cabe ressaltar que a reação das autoridades judaicas também é testemunho do fato da ressurreição de Cristo. Eles não apresentaram o corpo, nem organizaram uma busca. Pelo contrário, subornaram os soldados que guardavam o túmulo para mentir (Mt 28.11-15) e lutaram contra os discípulos que testificaram que viram o corpo vivo. O fato de confrontar, em vez de refutar, as reivindicações dos discípulos comprova a realidade da ressurreição. A ressurreição de Jesus Cristo e o cristianismo ou permanecem ou caem juntos. A fé cristã depende de Jesus ter ou não ressuscitado verdadeiramente dentre os mortos. Sem ressurreição não há cristianismo. O apóstolo Paulo escreveu: “Se não há ressurreição dos mortos, nem Cristo ressuscitou; e, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês têm” (1Co 15.13-14). Mas a ressurreição de Jesus foi um acontecimento histórico objetivo. Graças a Deus pela ressurreição de Jesus Cristo. Porque Cristo vive podemos crer no amanhã. Porque Jesus levantou do túmulo, podemos ter certeza que nossa fé não é vã. O cristianismo é verdadeiro e a ressurreição de Cristo prova isso.




Bibliografia

BAGGETT, David (org). Did the resurrection happen? A conversation with Gary Habermas and Antony Flew. Illinois: IVP Books, 2009.

BUSENITZ, Nathan. Reasons we believe. Illinois, Crossway, 2008.

CRAIG, William L. Did Jesus rise from the death? In: WILKINS, Michael J.; MORELAND, J.P. Jesus under fire. Grand Rapids, Michigan: Zodervan, 1995.

CRAIG, William Lane. Reasonable faith. Third edition. Illinois: Crossway, 2008.

HABERMAS, Gary R.; LICONA, Michael R. The case for the resurrection of Jesus. Grand Rapids: Kregel, 2004.

MCDOWELL, Sean. Apologetics for a new generation. Oregon: Harvest House, 2009.

7 de mar de 2013

Davi Lago entrevista Davi Lago




Por Davi Lago

Davi Lago – Davi, você nasceu dia 7 de março de 1986 na Maternidade São Paulo na cidade de São Paulo e hoje completa 27 anos de vida. Você se considera feliz?
Davi Lago – Olá Davi, é muito bom estar aqui com você! Sim, sou muito feliz. Minha filha Maria nasceu, estou cada dia mais apaixonado pela minha esposa Natália, amo minha família, minha igreja, meus amigos e meu Senhor Jesus.

Davi Lago – Davi, nossa entrevista é simplória. Queremos fazer um ping pong, ok?
Davi Lago – Ok, pode começar.

Davi Lago – Restaurante?
Davi Lago – Xapuri, aqui em BH.

Davi Lago – Cafeteria?
Davi Lago – Mineiriana em BH, Octavio Café em Sampa.

Davi Lago – Banda?
Davi Lago – Katsbarnea e The Strokes.

Davi Lago – Compositor?
Davi Lago – Grieg e Tchaikovsky.

Davi Lago – Games?
Davi Lago – The Legend of Zelda – Ocarina of Time, do N64.

Davi Lago – Seriado?
Davi Lago – Friends, Fresh Prince, Everybody hates Chris, Jaspion.

Davi Lago – Peça teatral?
Davi Lago – Vermelho de John Logan com Antônio Fagundes.

Davi Lago – Filme?
Davi Lago – Star Wars (1, 2, 3, 4, 5 e 6) e Poderoso Chefão (1, 2 e 3)

Davi Lago – Diretor?
Davi Lago – Tarantino, Kubrick, Burton, Spielberg e Coppola.

Davi Lago – Ator?
Davi Lago – Jack Nicholson.

Davi Lago – Atriz?
Davi Lago – Winona Ryder.

Davi Lago – Frase do cinema?
Davi Lago – “Eu farei uma proposta que ele não poderá recusar” (Poderoso Chefão)

Davi Lago – Desenho animado?
Davi Lago – Batman – The animated series de Bruce Timm, As aventuras de Tintin, Superman de Max Fleischer, Simpsons, Doug Funnie, Laboratório de Dexter e Samurai Jack.

Davi Lago – Anime?
Davi Lago – Yu Yu Hakusho, Dragon Ball Z.

Davi Lago – Quadrinhos?
Davi Lago – Batman, Savage Dragon,

Davi Lago – Desenhista?
Davi Lago – Erik Larsen, Kelley Jones, Frank Miller e Angeli.

Davi Lago – Time de futebol?
Davi Lago – São Paulo Futebol Clube, Soberano Tricolor Paulista.

Davi Lago – Jogador?
Davi Lago – Rogério Ceni.

Davi Lago – Time de hockey?
Davi Lago – Pitsburgh Penguins.

Davi Lago – Time da NBA?
Davi Lago – Indiana Pacers.

Davi Lago – Livro (sem ser a Bíblia)?
Davi Lago – Lições aos meus alunos de Charles Spurgeon.

Davi Lago – Autor de ficção?
Davi Lago – Jorge Luis Borges e George Orwell.

Davi Lago – Autor de não-ficção?
Davi Lago – Gilles Lipovestky.

Davi Lago – Autor cristão?
Davi Lago – John Stott, John Piper, William Lane Craig.

Davi Lago – Teologia?
Davi Lago – Reformada.

Davi Lago – Teólogo?
Davi Lago – Calvino.

Davi Lago – Inspiração ministerial?
Davi Lago – Charles Haddon Spurgeon.

Davi Lago – Inspiração ministerial contemporânea?
Davi Lago – Mark Driscoll, John Piper, Steven Furtick, Rick Warren.

Davi Lago – Recado final.
Davi Lago – Que a força esteja com vocês.




6 de fev de 2013

Criador e criaturas: O que significa ser imagem e semelhança de Deus?




Um mini-estudo bíblico para cristãos, céticos e curiosos

Por Davi Lago

O livro do Gênesis afirma que o homem é um ser criado à imagem e semelhança de Deus: “Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança’ [...] Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.26-17). Analisemos esse texto e suas implicações:

Criou Deus o homem
O homem é, portanto, uma criatura. Há uma diferença abismal entre Deus, como Criador, e o homem, como criatura, que jamais poderá ser apagada. O homem é barro mais sopro divino.
Há várias implicações do fato de o homem ser uma criatura de Deus:
1. Os seres humanos não têm existência independente. Ou seja, o homem é um ser dependente de Deus. Sem Deus, não haveria homem. O homem não gerou a si mesmo, nem é autoexistente. Somente Deus é incriado, sendo portanto, autoexistente (Sl 90.2).
2. A humanidade faz parte da criação. Por mais diferentes que os homens sejam dos outros seres criados por Deus, ele não é tão distinto do restante deles a ponto de não ter nenhuma relação com eles. O homem é parte da sequência da criação.
3. Há um vínculo comum entre todos os seres humanos. A doutrina da criação significa que estamos todos relacionados uns com os outros.
O homem é, portanto, uma criatura, mas como revela o texto de Gn 1.26-27, ele não é uma criatura qualquer, mas sim um ser feito à imagem e semelhança de Deus.

 À sua imagem e semelhança
O comentarista bíblico Derek Kidner afirma que as palavras imagem e semelhança se reforçam mutuamente, não havendo, portanto, distinção teológica entre elas[1]. Andrés Ibáñez Arana afirma que a palavra hebraica equivalente à imagem, significa reprodução, imitação, ser igual, enquanto que a equivalente à semelhança significa cópia[2]. Portanto, dizer que o homem é imagem e semelhança de Deus, significa dizer que o homem é como Deus, reflete a Deus. Isso é elucidado em Gênesis 5.3: “Aos 130 anos, Adão gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem; e deu-lhe o nome de Sete”. Perceba que Sete é imagem e semelhança de Adão. Ou seja, assim como um filho se parece com seu pai, o homem se parece com Deus.
Toda a Escritura Sagrada irá mostrar em que o homem é como Deus. A humanidade reflete Deus na sua racionalidade, criatividade, capacidade de comunicação, espiritualidade, capacidade de dominar, de tomar decisões, e assim por diante.
O fato de sermos imagem de Deus, ou seja, termos a estampa de Deus em nós, constitui também uma declaração de propriedade. Jesus disse aos seus questionadores: “De quem é esta imagem e esta inscrição?”. “De César”, responderam eles. E ele lhes disse: “Então deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.20,21). O ser humano pertence a Deus, assim como a terra e tudo o que nela há (Sl 24.1).
Outro elemento importante da imagem de Deus em nós é a nossa consciência de Deus. O teólogo R.K. McGregor Wrigth afirma: “Quando um cachorro está em dificuldade, ele não ora, apenas corre. Calvino chamou a consciência humana da presença de Deus de ‘semente da religião’ e de ‘senso da divindade’. Blaise Pascal observou que há um ‘buraco em forma de Deus’ no coração humano que só Deus pode preencher”[3].
Wrigth afirma ainda que quando Deus criou Adão, ele também tinha em mente a encarnação futura de Jesus Cristo, porque Jesus era “o Cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo’ (Ap 13.8). Em outras palavras, a natureza de Adão foi criada de tal modo que a pessoa do Filho de Deus pudesse ter uma expressão pessoal perfeita através dele na encarnação do Cordeiro. Desse modo, Jesus é chamado de “a imagem de Deus” em 2Co 4.4. Novamente em 2Co 3.18, Paulo descreve nossa transformação progressiva na imagem de Cristo. O ser humano deve ser renovado à imagem de Cristo (Rm 8.29; Gl 4.19; 1Pe 1.4; 1Jo 3.2).




[1] KIDNER, Derek. Gênesis: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2004, p.50.
[2] ARANA, Andrés Ibáñez. Para compreender o livro do Gênesis. São Paulo: Paulinas, 2003, p.39.
[3] WRIGHT, R.K. McGregor. A soberania banida. São Paulo: Cultura Cristã, 1998, p.81.